27 Fevereiro 2026
A Herança da PS4: De Uma Consola Portátil Feita à Mão ao Regresso de um Clássico RPG

A Herança da PS4: De Uma Consola Portátil Feita à Mão ao Regresso de um Clássico RPG

A geração da PlayStation 4 teima em não ficar para trás, provando a sua imensa relevância tanto nas invenções de hardware como no software que chega às lojas. Num mercado onde a mobilidade ganha terreno a cada dia, impulsionada por gigantes como a iminente Switch 2 e as fortes apostas da Asus, Lenovo e Valve, a comunidade continua a arranjar formas de reinventar o modo como consumimos os títulos da era passada. Seja através de impressionantes modificações de consolas ou do lançamento de remasters bastante aguardados, o legado da Sony está mais vivo do que nunca.

A Engenharia por Detrás da PS4 de Bolso

Enquanto os rumores apontam para uma eventual PS6 portátil e a própria marca foca os seus esforços na PS Portal, um dispositivo que depende quase inteiramente de streaming, um entusiasta decidiu meter as mãos na massa e contornar a espera. O modder conhecido pelo pseudónimo wewillmakeitnow alcançou um feito notável ao transformar uma PS4 Slim convencional numa verdadeira consola portátil. Longe de ser apenas um ecrã acoplado a uma caixa, este projeto corre os jogos de forma totalmente nativa.

A empreitada exigiu meses a fio de testes rigorosos, cortes audazes na placa-mãe e uma otimização extrema para acomodar os componentes originais num espaço tão reduzido. Tudo isto acabou por ser encapsulado num chassis impresso em 3D. O material escolhido foi o plástico ABS, selecionado a dedo pela sua alta resistência térmica, um fator crucial para suportar as temperaturas geradas pelo hardware.

Controlo Térmico e a Experiência Híbrida

Lidar com o calor gerado por uma máquina de sala num formato portátil não é uma tarefa nada fácil. Para contornar o problema, o criador desenhou um sistema de arrefecimento feito à medida, equipado com um dissipador robusto e uma ventoinha dedicada. A magia nos bastidores, contudo, acontece graças a um microcontrolador ESP32. Este pequeno chip atua como um cérebro auxiliar, monitorizando as temperaturas, o consumo energético e a bateria em tempo real, permitindo até desligamentos de emergência caso algo corra mal.

A autonomia provém de uma bateria de 130 Wh composta por seis células, garantindo entre uma hora e meia a três horas de jogo. É um número bastante respeitável dada a exigência do sistema, ainda que seja considerado o ponto mais sensível de toda a construção. Para coroar a modificação, foi integrado um ecrã OLED de 7 polegadas com resolução Full HD. Considerando que a esmagadora maioria da biblioteca da PS4 foi concebida precisamente para 1080p, a qualidade de imagem assenta que nem uma luva. E, se a vontade for jogar no sofá, a máquina mantém a capacidade de ser ligada a uma televisão, assumindo uma identidade híbrida. Sendo um desafio puramente pessoal movido pela curiosidade técnica, o autor já confirmou que não há qualquer intenção de comercializar o aparelho.

O Regresso de um Colosso da Oitava Geração

Curiosamente, esta paixão pela biblioteca da oitava geração não se reflete apenas nos projetos caseiros de hardware. Do lado das produtoras, os grandes êxitos da PS4 continuam a dar cartas, sendo agora otimizados para as plataformas atuais. Um excelente exemplo deste fenómeno é o recente lançamento da versão remasterizada de Tales of Berseria. O aclamado RPG da Bandai Namco, que viu a luz do dia em 2016, acaba de chegar à PS5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch, recolhendo uma receção francamente positiva por parte da crítica especializada.

No agregador OpenCritic, o título regista atualmente uma pontuação de 81, com 82% dos críticos a recomendarem a aventura de vingança de Velvet e do seu excêntrico grupo de companheiros pelo reino de Midgand. As análises destacam sobretudo o cuidado técnico empregue nesta transição para o hardware moderno. Tyler Treese, da PlayStation Lifestyle, não hesitou em classificar este lançamento como a versão definitiva de um dos melhores RPGs já criados pela editora nipónica.

Já a publicação TechRaptor, pela voz de Erren Van Duine, elogia a solidez geral do jogo, fazendo apenas a ressalva de que persistem alguns pequenos problemas pontuais de iluminação e texturas. A CGMagazine também teceu rasgados elogios à forma como a remasterização integra novas melhorias de qualidade de vida, elevando uma obra que já atingia patamares raros no género. É verdade que algumas revistas, como a RPG Fan, acharam ligeiramente estranha a decisão de refazer um jogo que ainda hoje é facilmente acessível, mas o consenso é claro. A oportunidade de regressar a este universo, agora com fluidez renovada, prova que os épicos da era PS4 têm fôlego mais do que suficiente para continuar a brilhar.

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