12 Maio 2026
O Futuro do Terror e da Ação: Entre o Poder de Resident Evil Requiem e o Regresso de Shinji Mikami

O Futuro do Terror e da Ação: Entre o Poder de Resident Evil Requiem e o Regresso de Shinji Mikami

A Capcom não está a poupar esforços para colocar as expectativas em altas à medida que nos aproximamos do final de fevereiro. A grande aposta do momento é Resident Evil Requiem, e a editora nipónica tem vindo a largar pedaços de informação que mostram bem o que aí vem, especialmente se tiverem uma PlayStation 5 Pro na sala. Quem quiser ter uma ideia mais clara da coisa, o YouTuber Punish até já deitou cá para fora um vídeo bem sumarento com uns dezoito minutos de gameplay do Leon Kennedy a correr na nova máquina da Sony. E pelo que se vê, o jogo promete puxar pelo hardware a sério.

Numa conversa recente com o PlayStation Blog japonês, o diretor Koshi Nakanishi foi direto ao assunto e explicou a vertente técnica. A malta vai ter duas escolhas principais de desempenho na PS5 Pro: ou nos atiramos para uns luxuosos 4K a 60 frames por segundo com o ray tracing ligado a fundo, ou damos prioridade à fluidez absoluta através de um modo focado na performance. Esta segunda opção atinge os 120 fps, estabilizando numa média de 90 fps, mas deixando o ray tracing de lado. O Nakanishi confessou que a equipa passou um bom bocado a otimizar isto tudo para não haver soluços na jogabilidade. Aliás, ele próprio admitiu que jogar com taxas de fotogramas tão altas vicia de tal forma que voltar aos habituais 60 fps dá logo aquela sensação estranha de que “falta ali qualquer coisa”. Esta fluidez extra, quando aliada ao detalhe gráfico de nova geração, faz milagres pela imersão no cenário opressivo do jogo.

Mas não é só de pixeis e framerates que se faz o terror contemporâneo. A Capcom decidiu espremer as capacidades do DualSense ao máximo para nos fazer sentir o pânico na pele. O feedback háptico, a resistência dos gatilhos e até a coluna integrada no comando trabalham em conjunto para passar um retorno físico extremamente real das nossas ações. Imagina o Leon a ser agarrado por um zombie no meio do escuro; vais conseguir sentir a textura do braço da criatura a prender-te e a própria trinca a vibrar nas tuas mãos. O peso de disparar cada arma muda nos gatilhos adaptáveis, e até pormenores mecânicos como rodar uma simples caixa de joias para resolver um puzzle fazem o comando emitir sons e vibrações que imitam peças soltas lá dentro.

Enquanto a Capcom continua a refinar e a expandir o universo que definiu o survival horror, o homem que originalmente deu o pontapé de saída nesta loucura toda está noutras andanças, mas igualmente ocupado. Shinji Mikami, o lendário pai de Resident Evil, fundou a Unbound em 2022 e a máquina já está a rolar a todo o gás. Sabemos há algum tempo que têm um RPG de ação no forno, mas a situação ganhou uma escala muito maior quando a Shift Up, o estúdio coreano que nos trouxe Stellar Blade, decidiu entrar em cena e juntar-se à festa.

No seu mais recente relatório de contas, a Shift Up abordou esta parceria através daquilo a que chamaram uma manobra de “acqui-hire”, assumindo as rédeas da publicação do título de estreia da Unbound. A sintonia entre os dois estúdios parece estar no ponto. Já se encontram a trabalhar lado a lado na construção de mundos e no planeamento criativo, aproveitando o balanço para fortalecer ambos os lados do desenvolvimento. A Unbound conta neste momento com cerca de 60 produtores, muito pessoal com calo em franchises de peso, e o plano não passa por lançar apenas uma aposta isolada. Estão a desenvolver múltiplos projetos em simultâneo, que vão desde produções de alto orçamento a títulos de escala média.

A ideia da Shift Up é ir libertando novidades sobre o que se passa na Unbound de forma faseada, ao mesmo tempo que preparam o anúncio da sequela de Stellar Blade e de um misterioso “Project Spirits” ainda para este ano. E embora não tenhamos ainda uma data para espreitar os primeiros visuais do que a equipa de Mikami anda a cozinhar, a verdade é que o simples nome do diretor é suficiente para agarrar a atenção de qualquer um. Com um currículo que não se fica apenas por Resident Evil e inclui relíquias absolutas da ação como God Hand e Vanquish, eu já tenho a cadeira reservada na fila da frente. Qualquer coisa que venha daquela cabeça tem a minha atenção imediata, resta agora esperar que o nevoeiro levante e nos mostrem em que é que andam a trabalhar.

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